Polícia ouvirá testemunhas para esclarecer motivo de ataque que resultou em um adolescente morto e três feridos no centro de Santa Maria

Polícia ouvirá testemunhas para esclarecer motivo de ataque que resultou em um adolescente morto e três feridos no centro de Santa Maria

Foto: Redes Sociais (Reprodução)

A Polícia Civil apura a motivação do tiroteio que resultou na morte de um adolescente de 16 anos e três feridos a tiros, na madrugada de sábado (4), na região central de Santa Maria. De acordo com o delegado Adriano De Rossi, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), uma das principais linhas de investigação é a de que o jovem não atirou de forma aleatória, mas tinha um alvo definido no local.

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– Nós acreditamos que a primeira pessoa que o adolescente acertou os disparos era seu alvo principal. Vamos tentar entender qual foi a motivação que levou o adolescente a fazer isso e ver se há outros envolvidos nessa ação.

A partir dessa hipótese, o foco da investigação passa a ser a motivação do crime e a possível participação de terceiros, seja no planejamento ou na execução. A polícia também trabalha para identificar se o adolescente agiu sozinho ou se foi influenciado ou orientado por outras pessoas. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas devem ajudar a esclarecer a dinâmica do ataque, que ocorreu em meio a uma aglomeração de pessoas.

Briga entre facções não está descartada

Embora a forma como o crime foi cometido levante suspeitas de um possível acerto de contas, a polícia adota cautela ao tratar de uma eventual ligação com facções criminosas. Segundo o delegado, o local onde o fato ocorreu não é caracterizado como área de disputa entre grupos organizados, o que, em um primeiro momento, afasta esse cenário como predominante.

– Aparentemente, pela forma como foi, dá a entender que pode ser algum acerto de contas, alguma disputa. Só que ali, pela região que aconteceu, nós não temos uma disputa de facções criminosas – explica De Rossi.

Outro elemento que chama a atenção da investigação é o tipo de arma utilizada pelo adolescente. Conforme o delegado, o uso de um revólver calibre 38 foge do padrão mais comum em execuções relacionadas ao tráfico de drogas, nas quais, segundo ele, predominam pistolas de maior capacidade e poder de fogo.

Ainda assim, a polícia não descarta completamente nenhuma hipótese e busca aprofundar a investigação para compreender se há conexão com outros crimes ou organizações. A identificação da motivação é considerada central, já que pode indicar se o caso está relacionado a conflitos pessoais, dívidas ou até mesmo a alguma estrutura criminosa.

Região tem histórico de brigas, mas não de disputa entre facções

Conforme o delegado, a área central, especialmente nas proximidades das ruas Andradas, Silva Jardim e Floriano Peixoto, registra com frequência ocorrências envolvendo brigas, muitas vezes associadas a aglomerações em bares e consumo de álcool durante a madrugada. ​Segundo a polícia, os casos registrados neste ano na região têm, em sua maioria, origem em desavenças pontuais ou conflitos antigos, e não em disputas estruturadas entre facções criminosas. Esse cenário reforça a linha de investigação de que o episódio pode estar ligado a um conflito específico entre envolvidos.

– Ali nas proximidades, eu posso dizer, o que acontece mais nessa região são brigas. Geralmente são brigas com facas ou facões, armas brancas, e eventualmente algum outro caso que é utilizado arma de fogo. Ali, posso dizer, pelo menos desse ano, os casos são em decorrência de brigas, coisas pontuais que aconteceram, ou desavenças antigas. Então, a origem (dessas brigas) não é de facção criminosa, ou disputa de tráfico de drogas, nem nada do tipo.

Próximos passos da investigação

Nos próximos dias, a Polícia Civil deve coletar depoimentos e analisar imagens para esclarecer detalhes do caso. Testemunhas já foram identificadas e devem ser ouvidas para complementar as informações obtidas até agora.

– Nós conseguimos identificar algumas testemunhas no local, que nós pretendemos ouvir. Nós temos as imagens, que esclarecem a dinâmica dos fatos. Devemos ouvir algumas testemunhas só para, enfim, aprofundar algum aspecto que talvez as imagens não nos mostrem.

Além de reconstruir o que aconteceu no momento dos disparos, a investigação também busca identificar se houve participação indireta no crime, como eventual instigação ou ordem para a execução. A responsabilização pode alcançar outras pessoas caso seja comprovado algum tipo de envolvimento.

– Nosso objetivo, agora, é dar uma profundidade na dinâmica dos fatos, ver se o adolescente teve a ajuda de alguém. Se teve ajuda de alguém, se alguém mandou que ele fizesse isso. Qual foi a motivação para ele ter feito isso – finaliza De Rossi.

Relembre o caso

O tiroteio ocorreu na madrugada de sábado (4), na Rua Serafim Valandro, esquina com a Rua Vale Machado, na região central de Santa Maria. Conforme a Brigada Militar, havia uma aglomeração de pessoas nas proximidades de um estabelecimento quando o adolescente de 16 anos chegou ao local armado e efetuou diversos disparos contra um homem.

Após os tiros, dois policiais militares que estavam de folga reagiram e atiraram contra o jovem, que morreu no local. O óbito foi constatado por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Além do adolescente, outras três pessoas ficaram feridas. O primeiro homem que foi atingido pelo adolescente levou tiros no abdômen e foi encaminhado em estado grave ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Uma mulher sofreu ferimento na região da nádega e outro homem foi baleado no braço. Ambos também receberam atendimento médico. Até a publicação desta matéria, não havia atualizações do estado de saúde das vítimas.

Este foi o quinto homicídio registrado em Santa Maria em 2026.

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